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Enfermeira faz desabafo na web e posta foto após ser agredida pelo marido: 'Último roxo que ele deixou'

Homem chegou a ser preso no sábado (5), mas foi liberado após a concessão de medida protetiva. Em rede social, moradora de Marília (SP) postou mensagem acompanhada de foto que mostra marcas de agressã

G1 Bauru e Marília

Uma enfermeira de 37 anos fez uma postagem nas redes sociais para denunciar as agressões que sofria do marido em Marília (SP). Junto com a mensagem publicada no último sábado (5), a mulher postou uma foto da última agressão que sofreu, que mostra um dos olhos roxo. "Nenhuma mulher mais, independente de qualquer circunstância ou ameaça, ficará calada enquanto houver outras violentadas. Violeta é a cor que marca a luta de resistência ao último roxo que ele deixou”, diz na mensagem. O marido, de 38 anos, chegou a ser preso no sábado após a vítima registrar um boletim de ocorrência por ameaça. Mas foi liberado no dia seguinte após a audiência de custódia e concessão da medida protetiva. Em entrevista ao G1, a enfermeira, que pediu para não ser identificada, contou que foi casada por 14 anos e durante todo esse período sofreu vários tipos de violência e ameaças. O casal tem três filhos, um menino de 10 anos e duas meninas de 5 e 3 anos. A foto que faz parte da postagem foi tirada em dezembro do ano passado quando ela foi agredida no local de trabalho. "Foi a última vez que ele me agrediu fisicamente, por isso coloquei a foto para mostrar que estava dando um basta e aquela tinha sido a última vez. Foram vários ciclos durante esses 14 anos de relacionamento e sofri agressões muito mais graves. Tive um traumatismo craniano, depois de 13 dias da cesárea, eu com minha filha no colo." Na época ela chegou a registrar boletim de ocorrência e saiu de casa por 5 dias até que fosse expedida uma medida protetiva. Porém, decidiu dar mais uma chance ao casamento e retirou a queixa. "Muitas pessoas ao redor da gente não sabiam de toda a situação porque só duas amigas minhas sabiam um pouco do que acontecia, das agressões, porque eu mesma minimiza as coisas. Começaram a falar que ele estava mal, que nunca tinham visto ele daquela forma e eu acabei me sensibilizando. Pensei em mim, se eu gostaria de ter mais uma chance e acabei cedendo. É uma situação complicada, uma dependência emocional que precisa ser quebrada. Você tem que sair de um círculo vicioso." Novas ameaças Ao longo de seis meses, desde que voltou para casa, várias situações ocorreram que culminaram na ameaça do último sábado, quando a mulher decidiu procurar a polícia para denunciar a violência que sofria. "O mês de janeiro, quando voltei, foi o melhor dos 14 anos de casamento, mas aos poucos ele foi voltando ao que sempre foi. Ele podia não me bater mais, mas a violência psicológica e emocional é o que dói mais. Eu tenho o meu trabalho e minha independência profissional, mas eu num tinha minha independência dentro da minha própria casa." Segundo a enfermeira, as filhas foram um dos principais motivos para denunciar a situação e dar um basta no relacionamento. "Eu pensei nas minhas filhas, eu não queria ser esse exemplo de mulher, que as minhas filhas cresçam achando que isso é amor, que pode bater, que é normal porque com a minha mãe é assim. Quando no sábado, na oração que fazemos antes de comer, minha filha pediu a Deus que eu e meu marido não brigássemos mais aquilo me motivou, porque elas presenciaram muita coisa e esse não é um futuro que eu quero para elas." Pela medida protetiva expedida pela Justiça no fim de semana, o marido não pode se aproximar dela e nem de familiares.
 
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